CRÔNICA: A solidão e a solitude

Foto por Jeswin Thomas em Pexels.com

“Nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morremos sozinhos. Somente através do amor e das amizades é que podemos criar a ilusão, durante um momento, de que não estamos sós”. A frase dita pelo ilustre Orson Welles pode soar um tanto melancólica, porém, verdadeira. Desde o nosso primeiro suspiro neste mundo, vivemos nossa vida de solidão. Mas, calma! Antes que você comece a se desiludir e perder a esperança, saiba que isso não é necessariamente algo ruim.

É cultural acreditar que ser solitário é sinônimo de uma pessoa triste, sem amigos ou alguém para lhe fazer companhia. Há alguns que até prefiram ficar sozinhos e esbanjem o fato de que julgam não precisar de ninguém. Eis aqui uma verdade desconfortável para ambos os tipos de pessoa: nós sempre estamos e não estamos sozinhos.

Confuso, eu sei! Entretanto, depende do ponto de vista que você analisa. Você nunca se sentiu completamente isolado e solitário junto de uma multidão ou até mesmo seu grupo de amigos? Acredito que também já deva ter se sentido extraordinário apenas na sua própria companhia (ou vice e versa). Pois é, este é o X da questão em foco no título desta crônica.

A solidão expressa a dor em estarmos sozinhos enquanto a solitude trata do prazer em estar sozinho. Vivemos na era tecnológica onde mergulhamos em uma solidão autoimposta. Pelo nosso celular, conseguimos controlar com quem queremos falar, as publicações que queremos ver e os sites que queremos que os algoritmos nos mostrem. Isso nos dá uma sensação ilusória de poder de escolha, mas esse é um tema para outro dia.

Voltemos ao mundo solitário. No início, afirmei que estamos e não estamos sós e é a realidade. Ninguém pode viver nossa vida por nós assim como é característica do ser humano estabelecer relações com o planeta e seus habitantes. Sem termos com quem manter algum tipo de contato acabamos enlouquecendo (veja o personagem de Tom Hanks no filme Naufrago e sua relação platônica com a bola Wilson), da mesma maneira que, por vezes, necessitamos estar apenas com nossos pensamentos.

Provavelmente você esteja se perguntando agora: mas então, que diabos eu faço? Se eu tivesse todas as respostas certas para os problemas da vida, estaria bebendo em uma praia deserta no Caribe e não aqui, na frente do computador, escrevendo este texto. Mas eis o que eu acho: é necessário que saibamos dosar tudo em nossas vidas. Todos precisamos de um tempo para nós mesmos. Há dias em que tudo será uma festa e outros onde nosso único desejo será afundar a cabeça no travesseiro e dormir.

E tudo bem! Não existe lei em qualquer constituição que nos obrigue a sempre estampar um sorriso no rosto, como se nossa vida fosse perfeita como o final de algum romance clichê. Contudo, saiba aproveitar todas essas ocasiões e procurar estar em paz com você mesmo. Quando fazemos algo contra a nossa vontade, acabamos colocando nossas mentes e autoestimas em cárcere privado.

Assim, se você leu até aqui e me permitir um conselho final, deixo uma frase do livro O Dilema do Porco Espinho, do professor Leandro Karnal: “Terminaremos todos solitários em um túmulo algum dia. Exercitar o lado criativo e libertador do isolamento é evitar que o túmulo surja ainda em vida”.

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